Como Aprender qualquer coisa: desenvolvendo super sentidos

o guia definitivodos super sentidos

Você sabe como é.

Quando estamos começando a aprender algo, parece que existe uma barreira mágica que bloqueia as nossas percepções.

Qualquer iniciante com um violão na mão é uma máquina de tortura, pois além do instrumento estar desafinado, eles não percebem o quão ruim está o som.

Comigo também foi assim e, mesmo que me explicassem como afinar o violão, eu não conseguia perceber a diferença sonora entre uma corda desafinada e uma afinada.

Hoje você aprenderá como observar utilizando todos os seus sentidos, se transformando em um super humano de capacidades amplificadas. Aprenderá também a escolher melhor suas inspirações e como focar no que importa.

Aprender rápido significa perder menos tempo com o desnecessário e partir para as etapas mais divertidas. Você está preparado para se divertir e fazer qualquer coisa?

Então vamos lá!

Observar significa fazer boas perguntas

observar

Não confunda “olhar”, “ver” e “observar”. Você pode olhar para uma pessoa, mas não ver os seus traços mais importantes.

Já o observar vai muito além. Significa “cuidar de”, ou seja, tomar cuidado com aquilo que se aprende. Ter cautela.

É como cuidar de um bebê. Você deve ir além do simples enxergar, prestando atenção nos mínimos detalhes. Ouvir o choro, sentir se existe algum cheiro vindo da fralda (ew!) e perceber as suas necessidades.

No aprendizado não é diferente. Estamos atrás de respostas e, para isto, é preciso fazer boas perguntas. Podemos dizer que “observar” é a arte da curiosidade.

Se você se contentar com as primeiras aparências e com as primeiras respostas, estará se enganando e aceitando uma realidade ilusória. É preciso escolher a pílula vermelha e começar a perceber o que existe nas entrelinhas.

Comece pelo final

labirinto

Parece óbvio não é?

Se você quiser aprender uma música, a melhor forma é ouvir bem o audio original. Assim você pode escolher o método de aprendizado (cifras, partitura ou vídeos) com o intuito de se aproximar cada vez mais da sua meta.

Porém, na escola, nós aprendemos primeiro as cegas e ainda saímos sem conhecer a finalidade das coisas.

Quando você aprende história, começa lendo vários capítulos até ser testado por exercícios. Enquanto não chega na fase de teste você não sabe ao certo se aprendeu. O que significa conhecer a história do Brasil? Como posso utilizar isso?

Agora inverta o caso. Primeiro defina o que você precisa saber de um determinado capítulo. Depois, estude até alcançar o objetivo já bem definido. Você sabe que precisa aprender aquilo, então automaticamente dará um jeito.

O primeiro passo para ser um bom observador é definir as suas metas de forma objetiva. Sabendo onde você quer chegar, a sua mente começará a buscar por um caminho.

Para ficar mais claro, imagine um daqueles jogos de labirinto que vinham nos gibis e jornais. Se você começasse da entrada, teria que lidar com diversos caminhos sem saída. Já começando pelo fim, você verá uma única possibilidade de forma bem clara.

Mas como determinar as metas? É preciso determinar se você quer tocar uma música como a banda original ou apenas se divertir. Você quer passar em história ou quer ser um professor?

Ser bom em algo é relativo

20horas

Segundo Malcom Gladwell, autor do livro Outliers, uma pessoa precisa 10 mil horas de treino e estudo para se tornar um expert.

Ok, mas calma lá.

Aprender algo é diferente de ser um expert. Quando você quer aprender a cozinhar, você não necessariamente quer ser um chef profissional. Quer apenas fazer um prato que não te dê náuseas!

A primeira meta a se definir é: o que significa aprender a habilidade X?

Desta forma, no caso de cozinhar, observar e analisar pratos complexos dos chefs renomados será inútil. Você não terá os ingredientes e ferramentas necessárias e o trabalho será tão grande que as chances de desistir serão enormes.

Logo, você deve evitar as seguintes características em suas inspirações:

  • Muito específicas
  • Que demandem muitos recursos
  •  Fáceis demais a ponto de você não aprender nada
  •  Nada práticos e funcionais

No mundo real, você vai querer cozinhar pratos gostosos e práticos, com ingredientes fáceis de encontrar. Comece aprendendo com os pratos da vovó e tudo ficará mais fácil.

Isto não significa que você deve utilizar um ovo frito como inspiração. É preciso sempre equilibrar o fator desafio para que você se mantenha em evolução.

Agora que você já sabe o que observar, chegou a hora de entender como observar!

Despertando os seus sentidos

sentidos

Na concepção geral, existem três tipos de pessoas:

  • As visuais são as que aprendem lendo.
  • As auditivas que aprendem ouvindo.
  • As cinestésicas que aprendem escrevendo e fazendo.

Esqueça este tipo de coisa. Além de ser uma classificação equivocada, um bom aprendiz nunca deve utilizar apenas um recurso sensitivo.

O termo “aprendizado visual” não faz sentido, pois há uma enorme diferença entre ler um texto e compreender uma ilustração. No primeiro caso a informação é linguística, lógica e ordinal, enquanto que na segunda, ela se torna puramente simbólica.

Já o ler e ouvir são muito mais próximos do que imaginamos. Ambos transformam dados em linguagem, que fica guardada de forma descritiva na nossa mente.

O aprendizado auditivo pode se distinguir também entre a compreensão linguística e a musical.

Um cão entende uma ordem decorando a entonação, mas ele não atribui significado linguístico para o que dizemos. Da mesma forma, decoramos uma melodia de forma diferente da que decoramos um poema.

O ato de escrever não te torna cinestésico, pois você não irá replicar os movimentos da escrita ao acessar a memória da informação. Não é como se o movimento da escrita trouxesse algum significado. Nós escrevemos porque o ato de escrever adiciona autoria ao pensamento. Um pensamento próprio possui valor diferente daquilo que é ouvido ou lido.

O aprendizado cinestésico está ligado a memória motora e é muito utilizado em artes, esportes e atividades manuais.

Logo, temos uma grande diversidade de percepções a serem aproveitadas dentro do nosso estudo de observação:

  • A simbólico, que aprende através de símbolos, como desenhos, esquemas e fluxos.
  • A descritivo, que aprende através da descrição pela linguagem.
  • A musical, que aprende pelo som independente de símbolos e significado.
  • A visual, que aprende através de cores, formas e padrões.
  • A cinestésico, que aprende pelas sensações motoras.
  • A oufativo e degustativo, mais utilizados na culinária e química.

O motivo para aprendermos utilizando mais de um sentido é simples.

Cada percepção irá desenvolver um tipo de lógica diferente e possui suas vantagens e desvantagens. Iremos observar a seguir um estudo de caso para que tudo fique mais claro.

As mil formas de aprender música

aprender musica

Vamos utilizar a música como exemplo para entender como funciona uma observação completa, mas todo aprendizado está recheado de possibilidades sensoriais.

Para mim, as músicas sempre foram absorvidas com um misto sensorial. Decoro os sons, os ritmos, o nome das notas para as harmonias e o número das casas no braço do violão para as melodias.

Cada dimensão sensorial está intimamente ligada a um dos quatro elementos. Para entender melhor a simbologia, visite o link!

Veja a seguir como é o processo com mais detalhes:

[Percepção Musical] – Água/Emoção

Quando focamos na percepção musical, estamos decorando o som da melodia (notas consecutivas), seu ritmo e resultados esperados. É o que você faz para cantarolar uma música.

Qualquer pessoa consegue decorar uma melodia, mas transformá-la em ações mecânicas em um instrumento é uma tarefa para poucos.

Além disso, as harmonias – ou notas simultâneas – são quase impossíveis de serem memorizadas, pois não temos a habilidade de vocalizá-las.

A memória musical possui a vantagem de ser muito eficaz e natural. Fora da música, pode ser utilizada para criar a ligação causal entre som e efeito. Ao fazer arroz, por exemplo, é possível perceber o estado de cozimento apenas pelo som da panela.

Acima de tudo, a percepção musical é um recurso que capta emoção. Se a sua voz interior está falando de forma entediante e sonolenta, você prestará menos atenção. É possível atribuir raiva, amor ou tristeza em uma memória apenas com a entonação e ritmo da sua voz mental.

[Percepção Simbólica] – Fogo/Essência

Cifras são notações simplificadas e incompletas que ajudam apenas para guiar o músico.

É impossível que alguém aprenda apenas com uma cifra e sem nunca ter ouvido a música, pois ela não contém as informações de ritmo, melodia ou dinâmica.

Ainda assim, é possível decorar uma música completa com uma pequena sequência de letras ao invés de decorar minutos de música. Isto acontece porque símbolos são como compressores de informações!

A grande desvantagem dos símbolos é que eles dificilmente trarão as informações cruas para o aprendizado. Você precisará entender o seu significado e ter conhecimento prévio da fonte original.

Seria como fazer um desenho para ilustrar e resumir um capítulo de história. Ao lembrar do desenho, suas memórias trarão diversas informações ligadas ao símbolo.

[Percepção Descritiva] – Ar/Lógico

Partituras são formas mais avançadas de notação que irão conter notas, ritmo, dinâmica, técnicas e qualquer outra informação necessária para o músico.

Aprender pelo modelo descritivo lhe trará mais informações do que a própria fonte original.

Você pode ouvir uma música e não perceber uma infinidade de informações, mas elas estarão bem claras na partitura.

A desvantagem das características descritivas é que elas não podem transcrever emoções. Ainda que os músicos leiam uma mesma partitura, a interpretação sempre acabará sendo diferente.

Descrições são fatores lógicos e, portanto, acabam falhando nos fatores emocionais e físicos. O movimento exato dos dedos e braços do músico podem estar além de qualquer notação musical.

Faça um teste. Ao invés de cantar uma música tocante, apenas leia a sua letra. Você verá que, embora a letra possa ter um sentido emocional, ela não causará arrepios como na música.

Por outro lado, é mais do que possível fazer uma música instrumental tocante, pois o sentimento está na percepção sensorial e não na percepção racional.

Se você for um músico que toca sem emoção, talvez seu problema tenha sido utilizar muito o fator descritivo.

[Percepção Visual] – Ar/Geométrico

Muita gente aprende só de olhar. Elas não sabem o nome das notas que estão tocando, mas sabem a posição das mãos de forma visual.

O sentido visual remete muito a questão tempo-espaço. Quando aprendemos visualmente, estamos decorando posições e a ordem em que elas acontecem.

Embora seja simples para quem está começando, o sentido visual possui a desvantagem de ser muito ordinal.

É comum que um músico tenha decorado as notas de forma sequencial, tornando impossível começar de uma parte aleatória que não seja o começo.

Uma técnica eficiente de memorização para línguas são os cartões de vocabulário (Flashcards). Você decora uma série de cartões com uma imagem e a palavra correspondente na língua.

O maior problema desta técnica, quando realizada de forma repetitiva e na mesma ordem, é que as pessoas decoram as palavras de acordo com uma sequência pré-determinada e não pela ligação entre palavra e imagem.

A maior diferença entre a “percepção visual” e a “percepção simbólica” é a forma contra o significado. Você pode decorar o desenho de uma maça pela sua forma, cor e detalhes de forma visual, ou pode decorar de forma simbólica, representando o amor ou mesmo Adão e Eva.

[Percepção Cinestésica] – Terra/Corporal

Para tocar uma música em um instrumento, é necessário que seus músculos tenham memorizado todos os movimentos.

Utilizar o sentido cinestésico não significa apenas ter uma memória mecânica, mas também sentir o instrumento nas suas mãos e a sua postura corporal.

A percepção cinestésica parte de uma compreensão não racional e não emocional. É como quando falamos que “agimos sem pensar”, ou quando ficamos bons o bastante para fazer as coisas “mecânicamente”.

Embora na prática ele seja o sentido mais eficiente, para o aprendizado ele é o mais lento. É mais fácil decorar uma sequência de acordes do que ter a capacidade técnica para fazê-los.

Outra grande desvantagem é a dificuldade em realizar mudanças. Por ser um sentido físico, ele será mais sólido e despropenso a adaptações.

Da música para a matemática

matematica

Ok, para a música isso tudo deve ter parecido óbvio, mas qual a utilidade dos outros sentidos para algo como a matemática?

Esta foi uma experiência real que fiz com uma pessoa de 50 anos e péssima com contas. Ela precisava fazer uma prova básica, mas não conseguia tirar uma nota acima de cinco.

O primeiro problema que notei foi a forma como ela pensava sobre os números. Todas as contas eram feitas escrevendo todas as etapas, desde somas até a multiplicação.

Sim! É assim que aprendemos na escola, mas desde cedo eu havia percebido que isto era algo que piorava as capacidades lógicas das pessoas.

Por outro lado, ao tentar fazer contas básicas de cabeça, começamos a utilizar outros recursos. O cérebro se adapta para compreender melhor as lógicas e encontrar as soluções de alguma forma.

Escrever o processo da conta significa memorizar de forma ordinal (percepção visual). Quando começamos a utilizar apenas a nossa voz interna (percepção descritiva), nossa mente começa a adicionar sentido aos números dentro dos contextos dos problemas.

Perceba que muitas pessoas não conseguem encaixar o problema em uma fórmula. Isto acontece porque elas se prendem muito a memória de escrever (cinestésico e visual). Quando fazemos de cabeça, visualizamos números e até agitamos os braços no ar para simular contas, transformando a ação em cinestésica/descritiva/racional.

Na matemática, a percepção simbólica gira em torno da compreensão do significado dos números e dos sinais. Divisões por 2 e 10 possuem um valor simbólico muito forte que podem resumir grande parte das contas.

É possível, por exemplo, descobrir qualquer porcentagem de cabeça, utilizando os dois símbolos acima. 71% de 78 significa:

  1. 71% = 1% + 50% + 20%
  2. 1% de 78 signifca dividir por 100 = 0,78
  3. 50% de 78 significa dividir por 2 = 39
  4. 20% de 78 significa dividir por 10 x 2 = 15,6
  5. 71% de 78 = 55,38

Já pelo processo normal (visual), a coisa se torna mais mecânica, pois estaríamos dependentes da forma estática do papel e da sequência da fórmula, tendo que calcular apenas o resultado de 71 x 78 / 100.

Embora pareça papo de doido, isto realmente funciona. No nosso estudo de caso, a nota pulou de 5 para 9,5 em apenas uma noite!

Os “sim”s e “não”s da observação

simnao

Não se mantenha dentro da zona de conforto.

Muita gente diz que só consegue aprender em sala de aula, mas geralmente estas pessoas também não vão tão bem nos estudos. Ao invés de testar novos métodos, elas se agarram às ilusões já conhecidas.

A regra 1 da vida: se algo não dá os resultados esperados, mude.

Observar com múltiplos sentidos irá tornar o seu aprendizado superior, te tornando mais adaptável e equilibrado. Ainda assim, é importante saber o que funciona ou não.

O que não funciona:

  • Grifar textos.
  • Qualquer aprendizado passivo de pura recepção, como aulas e leitura.
  • Aulas e cursos que seguem métodos quadrados não adaptáveis ao aluno.
  • Tutoriais de internet muito específicos – “como fazer vapor no photoshop” não te ensinará nada de Photoshop.

O que funciona:

  • Tirar dúvidas com experts
  • Ter contato direto com um mestre
  • Tentar descobrir sozinho (aliado às opções acima)
  • Anotar e desenhar
  • Começar pelos exercícios ou pelo resultado final

Como eu aprendi a afinar um violão

Aprender a afinar

Lembram-se do meu violão desafinado?

O maior motivo de eu não conseguir perceber a desafinação do meu instrumento, é que eu nunca havia o escutado totalmente afinado.

Primeiro eu deveria observar o estado final a ser alcançado. Procurei um professor de violão para que ele afinasse o instrumento e, assim, pude comparar o estado atual com a minha meta.

Depois, percebi que um instrumento afinado perfeitamente não seria fácil para um iniciante. No primeiro mês, ser bom em afinar o instrumento significa manter as notas próximas do ideal. Se eu perdesse muito tempo tentando uma afinação perfeita (que se perderia em minutos de prática), eu não iria conseguir tempo para tocar.

Com o tempo, percebi que conseguia afinar o instrumento perfeitamente em alguns segundos. Isto se devia a capacidade de visualizar duas notas paralelas como ondas. Uma nota afinada é visualizada como duas ondas perfeitamente sobrepostas, enquanto as notas afinadas possuem hertz diferentes, fazendo audível as oscilações não convergentes.

ondas

Minha coordenação motora para a afinação também havia evoluído em conjunto com a audição da nota. Se ela estivesse muito aguda, minha mão calculava automaticamente a quantidade de giro anti-horário que eu deveria fazer na tarraxa.

A própria capacidade de descrever o que acontece na afinação é uma prova de uma percepção descritiva.

Eu havia combinado os sentidos visual, musical, cinestésico e descritivo para aprender e masterizar a arte da afinação, habilidade que transpus para o violino e piano sem muitas dificuldades.

E agora é com você. Tente utilizar várias percepções em cima do seu aprendizado e colha os resultados. Deixe nos comentários a sua experiência ou dúvida para podermos crescer ainda mais no assunto!

Para os preguiçosos (Resumo)

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  1.  Defina onde quer chegar. Depois observe o que é necessário para chegar até lá.
  2.  Ser bom não significa ser o melhor. Você precisa começar prático e funcional, então escolha metas realistas e úteis, escolhendo seus estudos de caso da mesma forma.
  3.  Não utilize apenas um sentido para aprender. Se for melhor ouvindo, então comece a escrever, a desenhar e a ler para aprender por todos os ângulos.

Conclusão

Utilizar todos os sentidos é o básico para o super aprendizado.

Ele te permite observar por diversos ângulos um mesmo tópico, fazendo com que você se desenvolva por inteiro.

Ainda assim, existem diversos outros problemas na hora de aprender: disciplina, interesse, técnicas de estudo e por aí vai. O assunto é amplo, mas com certeza, desenvolver os seus sentidos será o primeiro grande passo para esta jornada.

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Muitíssimo obrigado pela leitura, e até a próxima!